PROCURANDO EMPREGO: O LADO EMOCIONAL

Digamos que você já se sente pronto pra trabalhar. Fez bem a lição de casa. Sabe por onde começar, onde ir e o quê fazer. Francês e inglês na ponta da língua, ou quase. Enfim, é hora de botar a mão na massa, mandar seus CVs e lançar a sorte. Maravilha! Você faz tudo como manda o figurino. Passa uma semana e nada de respostas, nenhuma ligação. Na semana seguinte apenas uma entrevista por telefone que acaba não dando em nada (e você não sabe o motivo). Até aqui você já mandou cerca de 50 CVs. Uma pulga começa a coçar atrás da sua orelha. Mas bola pra frente. Ao final do primeiro mês você não teve nem 10% de retorno positivo, ou seja, pouquíssimos convites para entrevista. O que há de errado?

Nessa fase tão inglória a gente se faz essa pergunta inúmeras vezes. O exemplo acima é algo que acontece de verdade. E pode se repetir pelo terceiro, quarto, quinto mês. O que vai acabar por afetar seu estado emocional, sem dúvida. Eu aprendi muitas coisas nessa terrível etapa de incertezas que é a vida de um desempregado em terra desconhecida. Uma delas, a mais importante talvez, foi saber que é preciso domar as emoções, dúvidas e desesperos. Uma pena que eu tenha aprendido isso tarde demais. Teria me poupado muitas lágrimas e boas horas sem dormir. Infelizmente isso é algo que não se ensina. É preciso ter consciência de que muitas vezes você é seu próprio inimigo e ponto. Ficar atento e lutar contra esse mal.

Ter de lidar com derrotas não é fácil, todos sabemos. Derrota e pressão, pior ainda. E essa pressão pode às vezes nem existir. São diversos os fatores de pressão externa que nada ajudam na sua caminhada. Desligar-se disso é difícil, são geralmente os exemplos nos
quais nos espelhamos, mas posso dizer que frustar-se dessa forma também não vai ajudar. O fator emocional me afetou muito. Já pra Lizie foi quase nada. Quer dizer, não existem regras e talvez tudo o que eu diga nesse post pra alguns será pura besteira. Mas, acreditem, isso acontece.

Eu sofri demais com essa pressão emocional que eu mesmo criava. Coisas que me distanciavam do meu objetivo, me traziam raiva e até uma sensação de injustica. Teorias com ou sem fundamento, sobre preconceito e má avaliação, por exemplo, que no final das
contas não serviam pra muita coisa. Aprendi com isso mas não foi fácil. Então, para curar essa ressaca eu percebi que o melhor era voltar-se pr’aquilo que de fato poderia contar à favor.

Uma das ações práticas que é preciso tomar nesses casos é auto-avaliar seu caminho, ou seja, ver se é preciso reconsiderar alguma hipótese. Eu comi bola por pelo menos dois meses, insistindo numa área que não me dava retorno. Por sonho e por acreditar que
era possível. Infelizmente não foi. Não posso dizer também que perdi tempo pois eu precisava passar por aquilo, eu precisava tentar. Foi fonte de conflito emocional e dúvidas. Por isso, aos poucos eu fui desistindo de procurar vagas em Turismo e em Organização de Eventos e parti pro campo Administrativo e de Atendimento ao Cliente.

A falta de entrevistas me fez reconsiderar meu caminho e eu resolvi abrir o leque de opções. Essa mudança de planos e de foco me rendeu muito mais frutos. Vão-se os anéis ficam os dedos, n’est-ce pas? Esqueça essas histórias de emprego rápido ou fácil. Não é
assim em 90% dos casos. A gente tende a achar que as coisas aqui são mais fáceis mas nem sempre é assim.

Pra concluir posso afirmar que paz de espírito é fundamental. Algo a se conquistar. Família e espiritualidade foram minhas fontes de energia, minha fortaleza. Só sei que a gente sai fortalecido dessas batalhas. Quando estamos do lado de lá, esperando por esses dias, achamos que vai ser assim-assado. Mas são tantos os caminhos, as dificuldades e os desafios que tornam a vida real mais intensa e complicada do que o esperado. Precisa estar preparado pra isso. Talvez eu não estivesse. Mas feliz de quem tem base para superar tudo isso.

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PROCURANDO EMPREGO: O LADO PRÁTICO

Nessa montanha-russa de emoções que é esse processo de imigração, depois de ter encarado todas as etapas, posso afirmar hoje, sem medo de errar, que a parte mais cabeluda é a fase da procura pelo primeiro emprego. Isso, claro, pr’aqueles que não têm a sorte de chegar aqui já empregados, não trabalham em TI ou numa área com grande demanda. A necessidade de tocar a vida, fazer o dinheiro entrar e não passar (mais!) aperto, versus as barreiras que existem para que se atinja esse objetivo fazem com que essa fase seja às vezes longa, sofrida e cheia de questionamentos. Mas lembre-se, é apenas mais uma fase. Meus próximos 3 posts serão sobre esse tema onde vou contar um pouco a experiência que tivemos e tentar alertar para pontos importantes.

Portanto, vamos ao lado prático da coisa. Como eu comentei aqui, o primeiro passo foi dado quando consultamos um conselheiro de emprego. A ajuda deles é bem generosa e as dicas sempre ajudam. Contudo, não dá pra se prender à 100% do que eles dizem. Acho que tive mais resultados positivos quando desencanei de certas regras e passei a confiar mais no meu taco. Outra coisa imprescindível é cadastrar-se em tudo quanto é alerte-emploi existente. Organizar a sua recherche e criar caminhos para facilitar o envio de CVs e cartas de apresentação pode fazer você economizar um bocado de tempo transformando isso em oportunidades. Acreditem, não é tarefa das mais fáceis essa de adaptar CV + carta para cada vaga interessante que aparece. É preciso muita paciência, disciplina e organização. E foco. Pequenos detalhes como, enviar uma mensagem ao empregador para agradecer pela entrevista, podem fazer a diferença. Participar de palestras, feiras e outros eventos voltados à quem quer uma chance no mercado de trabalho também é algo interessante. Enfim, é hora de saber colocar-se disponível, fazer uma boa vitrine e chamar atenção pro seu perfil.

Mas não há nada mais importante e que faça mais diferença na hora da entrevista do que o fato de estar bem preparado. E a gente NUNCA está logo de cara. Mesmo pra quem é fluente em francês/inglês, tem anos de experiência na sua área e/ou um diplomão absurdo. A chance de patinar algumas vezes é grande. O que significa “estar bem preparado”? É mostrar que você quer aquela vaga, conhece a empresa e se identifica com seus valores. Saber concatenar suas ideias, demonstrando suas competências e experiências, convencendo o cara que você é o melhor candidato, vendendo seu peixe. Agora imagina fazer tudo isso em francês e/ou inglês. E claro, com o tom de um profissional competente e respeitável e não como uma criança que acabou de entrar na école primaire. Isso pode levar mais tempo para algumas pessoas do que para outras. Praticar, fazer anotações, definir ideias do que vai ser dito e formular tudo isso. E praticar mais. Conhecer seu CV, conhecer-se. Não tem outro jeito. Estar preparado psicologicamente é outro fator fundamental. Nervosismo, ansiedade e pânico não combinam com a auto-confiança que você precisa deixar transparecer. Pois é, é duro! A minha conclusão: é preciso estar na hora certa e no lugar certo.

Felizmente, logo a coisa engata. A gente passa a dominar melhor o ambiente, fala com propriedade e chega até a receber elogios do entrevistador. Uma frase que se tornou meu guia nesse caminho muitas vezes ingrato da procura por uma oportunidade: “todo esforço é recompensado”. Sem dúvida que é. Mas tem que ralar. Atualizei os nossos Links Úteis com mais sites relacionados ao tema emploi, fuça lá e bonne chance!

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MEUS VOLUNTARIADOS DE VERÃO

Estou há exatos 26 dias sem atualizar o blog, então chegou a hora de tirar a seca. É aquela velha história: first things comes first. Então vamos direto ao assunto. Um resumo das minhas atividades como voluntário durante meu primeiro verão em solo québécois.

Antes, é preciso assumir: não me lembro de ter feito nenhum trabalho voluntário relevante no BR. Reviro minhas memórias e não encontro nada. E porquê eu resolvi fazê-lo aqui? Pra conhecer gente, aumentando minhas chances de empregabilidade e de integração à sociedade, e para praticar o francês. E se você é daqueles que vê minhas intenções como oportunismo, então amigo, vai procurar o que fazer, OK? Um voluntariado cairia bem.

Tudo começou na verdade bem antes do verão chegar, quando eu tomei conhecimento de uma porção de eventos que demandariam essa mão-de-obra voluntária. Escolhi alguns e fiz a minha inscrição. Uma dica importante é focar bem nessa escolha. Não rola participar de um evento para crianças se você não leva jeito com elas, por exemplo. Jogar em todas as posições também pode atrapalhar. Ou seja, se você é daqueles que curte a proteção do meio ambiente, concentre-se em fazer voluntariado para ações nessa área e não ficar levantando bandeiras diferentes. Na minha opinião isso desfoca um pouco o propósito
pessoal da coisa e te impede de criar uma identidade como voluntário. Eu mesmo termino meu primeiro ano como voluntário aqui aprendendo essa lição. Outra coisa que aprendi é que como voluntário você tem que se esforçar e se destacar se quiser fazer seu trabalho, às vezes monótono, se tornar algo mais prazeroso. Além disso, as pessoas do seu grupo em geral não serão seus maiores amigos com poucas horas de convivência ali, então é preciso “aparecer” se um dos seus propósitos é montar um réseau social. E não é tarefa fácil. Tive mais fracassos que sucessos nesse ponto. Mas se você está ali juste pour s’amuser, então relaxa e dê seu melhor que será muito apreciado também.

Nos 3 eventos para os quais eu doei meu tempo e dedicação, a pluralidade imperou como sempre. Vi de jovens estudantes à idosos. E esses jovens em sua grande maioria estão ali atrás de uma experiência de vida ou profissional, tanto que a organização quase sempre oferece uma carta de referência ou um atestado que serve como uma espécie de estágio para eles. Uma mão lava a outra.

Fato é que o espírito do voluntariado parece estar mais latente nas pessoas aqui do que eu jamais pude observar no BR. Arrisco-me a dizer que 100% dos médios e grandes eventos nessa cidade durante o verão são movidos graças ao serviço voluntário. E não é pouca gente. É como se todo cidadão aqui tivesse a responsabilidade imputada nele sem maiores esforços de que para o bem comum existir, ele é chave principal e que logo mais ele será beneficiário disso em outra situação. Senso cívico ou chamem como quiser. E essa foi a maior recompensa que pude receber em troca do meu tempo e dedicação. Algo que vou, sem dúvida, levar adiante.

E por falar em recompensa, todas as organizações que clamam por voluntários costumam oferecer ótimos benefícios em troca. Eu ganhei roupas, livros e uma bolsa térmica. Isso sem falar na alimentação que sempre foi bem caprichada e nos laisser-passer. Foi assim no Festival Plein Air & Voyages, organizado pela revista Espaces, que ocorreu no Parc Jean-Drapeau debaixo de uma chuva triste e de um frio ainda polar. O que deixou meu fim-de-semana de estreia como bénévole mais difícil, mas eu não desisti. Bravamente lá estava eu me ocupando dos pequenos-futuros-esportistas-radicais ou pegando no pesado no arruma-desarruma de toda logística necessária pro evento acontecer. Depois veio Un Tour la Nuit e Tour de l’Île, organizados pela Vélo Québec, dois dos maiores passeios ciclísticos dessa
província e uma festa dos amantes da bicicleta. Bon temps mauvais temps lá estávamos, Lorenzzo e eu, cuidando de uma intersecção e permitindo assim o fluxo em segurança dos ciclistas e pedestres. Encerrei minhas atividades em grande estilo na Coupe Rogers, que esse ano promoveu o torneio masculino. Fui convidado a fazer parte do comité vert, responsável por instruir os visitantes em relação ao lixo produzido durante o torneio.

Conheci gente, mostrei minha cara, aprendi muita coisa, me diverti muito, cansei, me fortaleci e hoje tenho orgulho de ter ajudado um pouquinho no todo. Mesmo que pra isso eu tenha tido de abdicar boas horas de descanso e lazer com a minha família. Valeu a pena!

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TELEFONIA, TV À CABO E UMA VIDA WIRELESS

Faz um tempo eu li um comentário de uma amiga no Facebook toda feliz porque tinha feito um plano na Claro onde teria um conta mensal de “apenas” R$300 para serviços de chamadas e dados ilimitados. Com isso, aquele aparelho lindão, última geração que ela sonhava sairia por “míseros” R$700. Rá! Não falei nada pra não desmotivar a pessoa. Sabemos a qualidade do serviço dessa companhia, o que faz com que o termo ilimitado muitas vezes não queira dizer nada. Isso pra não falar do “descontão”!

Curiosamente, quando cheguei em Montréal, fiz um plano ilimitado para o mesmo aparelho com a Rogers, que assim como a Claro, não é a líder do mercado aqui. Ele saiu de graça e minha conta fica em C$70/mês. Nunca tive sequer um problema de conexão, nem fiquei fora de área, nem tive problema com fatura errada ou dificuldade no atendimento. Óbvio que estou amarrado num contrato de 3 anos mas se continuar assim eu vou é agradecer por me forçarem a ficar com eles.

Nessas ficou impossível não traçar um paralelo e comentar sobre os mercados de telefonia, TV à cabo e as redes wireless lá e aqui. Bom, nós nunca tivemos celulares “do bão” no BR devido aos preços impraticáveis de aparelhos e contas. E não estava nos nossos planos os gastos com celulares aqui. Até trouxemos nossos velhinhos pra usar. Mas ao pesquisar os preços e serviços das companhias daqui vimos que era algo totalmente possível, financeiramente falando. Et voilà! Hoje podemos usufruir de um serviço de primeira sem pagar muito e com aparelhos de ponta. E só não conseguimos mais descontos de um plano familiar por questões burocráticas. Pra quem gosta de tecnologia como nós, foi a redenção! Adeus exploração! Adeus à filosofia do “só pra quem pode”!

Adeus também ao “wireless onde?”, que é tão comum por lá. Aqui a gente tropeça e cai numa rede aberta. Ou seja, se quiser nem precisa pagar plano de dados. Sério! Restaurantes, shoppings, parques… quase todo lugar público tem sua rede aberta sem chatices de senha. E pasmem, elas funcionam!

Em casa, nosso serviço é todo da Bell: TV à cabo, internet e telefone residencial. Temos um rabais imbatível e nem procuramos as outras empresas. Como não estamos com muito tempo para assistir televisão, eu coloco o que é interessante pra gravar no sistema de enregistrement deles e vejo depois. Tudo interativo, com guia de canais, personalização, etc. Eu, feito pinto no lixo descobrindo as mil e uma facilidades de uma TV à cabo decente, era cena triste. Era outra coisa que no BR nós não nos permitíamos devido ao custo exagerado. Agora a Laís pode ver os desenhos que passam de manhã, à noite e eu pauso o programa pra assaltar a geladeira. Só falta comprar uma TV boa. Ça va venir!

Então, é assim que aos poucos a gente vai descobrindo que oui, é possível se ter uma vida digna sem deixar as calças no banco. Já falei em outros posts sobre o mesmo assunto em relação à alimentação, garderie e lazer. Acho que estamos no caminho certo, não?

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DIVERSÃO: SIM!

E lá se foram 6 meses! Passou voando. Nesse período fizemos um bocado de passeios, conhecemos lugares lindos e tudo isso, na maioria das vezes sem gastar muito ou gastando zero. Sim, aqui isso é possível e não é sinônimo de “meia-boca” tampouco de aglomeração, baderna ou desorganização. A coisa começou a ficar boa mesmo depois que o inverno deu adeus.

É preciso dizer que o nível da organização e da divulgação de todos esses eventos pela cidade me impressiona a cada dia. Tenho certeza que os leitores já ouviram o mesmo comentário em outros blogs. E sendo um profissional da área, isso só me faz cada vez mais querer fazer parte disso tudo. Embasbacado é a palavra para definir-me quando dei conta do profissionalismo da coisa. Em poucos dias a Place des Festivals se transforma e
semana após semana ela se renova para novos espetáculos gratuitos e de qualidade, até que o verão acabe. Sem confusão, atividades para todas as idades e todos os gostos/bolsos. O trânsito aumenta um pouco mais na região mas nada que se compare com o que estamos (mal) acostumados. Flanelinhas, aonde?! Assim foram o Francofolies e o Festival de Jazz, e mais recentemente o Montréal Complètement Cirque, Juste Pour Rire e o Nuits d’Afrique. Fora os outros que não fomos por falta de tempo.

O mesmo profissionalismo a gente vê nos organismos que cuidam da promoção e divulgação do turismo nas regiões. Uma cidade simples, sem grandes atrativos como Trois-Rivières, por exemplo, consegue se embelezar e tornar-se parada obrigatória para todos que ali passam. O material à disposição do turista é vasto. Coisa linda! Quem já foi num centro de informação ao turista aqui sabe do que eu estou falando. Estradas, perto da
perfeição. Opções de hospedagem para todos os bolsos. E atrativos que variam dos culturais aos esportivos, parques, spas, compras… enfim. Não vejo a hora de poder viajar e conhecer cada canto desse lugar.

Então, mesmo com o escorpião no bolso, vejam quanta coisa bacana a gente já viu: o Biodôme, o Planetarium, no Jardin Botanique vimos a exposição “Papillons en Liberté”, o Insectarium, no Musée de Beaux-Arts vimos coisas lindas sobre a história e a cultura dos povos que habitaram o Peru. Fora os rolês de final de semana pelo Vieux-Port e pelos Parcs Jean-Drapeau (meu favorito!), de la Fontaine ou Mont-Royal, só pra tomar um sol e ver o povo na rua. Fomos também no Oratoire St-Joseph, esbaldamos nas delícias do Quartier Chinois, piquinicamos com amigos no Parc de la Nature, em Laval, fomos numa cabane à sucre deliciosa, em St-Isidore, percorremos parquinhos e jeux d’eau com a Laís pela cidade ou apenas relaxamos ao pôr-do-sol com o Lorenzzo. Ele, por sinal, já conhece todos os skate parks daqui. Recentemente visitamos o Parc Oméga e vimos vários animais nativos em seu habitat natural. O lugar é imenso, conservado e diversão garantida. Ah, e até o final desse verão planejamos pelo menos mais 2 rolês de bike por aí. Acho que não esqueci de nada.

Pra quem viveu na selva de pedra que é SP, isso aqui é o paraíso. E particularmente, é o fator responsável por 50% da minha alegria de aqui estar. Lembra quando a gente falava em “querer qualidade de vida” sem bem saber ao certo o que isso significava? Agora eu sei.

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MUDANÇA(S)

Estamos de volta! Agora com endereço novo. Há duas semanas pudemos experimentar o gostinho da loucura que é fazer parte da journée du démenagement. Só de lembrar já cansa. Mas valeu a pena. Os dias que antecederam foram dedicados às compras e organização dos mínimos detalhes. Alugamos uma fourgonette e fizemos todo o trabalho braçal. 3 andares pra subir, sem elevador. Pensa. Horário apertado pra sair de um e entrar
no outro. Mas tivemos anjos nos amparando! Estamos com muito mais conforto agora, mesmo que ainda faltando detalhes pra deixar o apê “do jeito”, mas o que falta virá com o tempo. CDN tem se revelado um bairro que nos oferece de tudo, muito bem fornecido de transporte público e à meio caminho pra quase todo lugar. A variedade étnico-cultural daqui é um caso à parte que talvez renda um post específico em breve. Enfim, estamos
instalados.

Outra mudança foi ainda mais comemorada: Lizie já está trabalhando e feliz da vida. A sorte sorriu pra ela com pouco menos de 2 meses de busca intensa. A adaptação está correndo bem e o maior desafio é mesmo entender o que essa gente diz quando desembestam a falar entre eles. Quer mais mudança? Laís na garderie nova, com amigos novos de novas etnias e costumes, falando novas palavras em francês e inglês. Lorenzzo fazendo francisation nas férias da classe d’accueil e evoluindo. Só o tiozão aqui que ainda não saiu do 0x0. Tá duro arrumar esse emprego mas a esperança se renova a cada amanhecer e tenho fé de que toda essa energia posta para encontrar meu caminho profissional irá se materializar em breve, muito breve. As boas vibrações são sempre bem-vindas, merci!

Por essas e outras não estamos aproveitando o verão comme il faut. Mas estamos curtindo nossa área de lazer à 30 passos de casa com piscina, quadras de tênis, campo de futebol, pataugeoire e mesinhas de pic-nic. Eu amo os parques dessa cidade!

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NOSSO ÚLTIMO PASSO NA FRANCISATION

Terminamos ontem nosso curso de 2 meses no Centre Lartigue, da Commission Scolaire de Montréal. E este foi nosso último passo na longa jornada da francisation. Sim, pois estamos convencidos que daqui por diante o francês só melhora na prática do dia-a-dia. Não tem mais tempo verbal pra aprender, nem estruturas ou formas gramaticais que possam ser ainda reveladas em algum curso oferecido aqui. C’est fini!

Após termos estudado por 1 ano no BR no início do processo (intensivo de 4 horas/dia, 5 dias/semana), após termos empurrado o francês com a barriga estudado por conta própria por quase 2 anos após a conquista do CSQ, depois de 11 semanas no curso do MICC e mais 2 meses no Centre Lartigue, bem… basta, né?! Acho que, se somadas, já temos mais de 5000 horas de aula. Acho também que já alcançamos um nível decente pro mercado de trabalho daqui. Falta agora os senhores empregadores reconhecerem isso e nos darem uma oportunidade.

E o que dizer desse nosso último curso? Bem, foi menos produtivo do que o curso do MICC já que nele estudávamos só na parte da manhã. Entramos no nível 6, o último, com promessa de mais prática oral. O que sobrava na professora em matéria de conhecimento faltava em paciência. Eu diria até que faltou motivação de ambas as partes. Resumindo, foram 2 meses “assim assim”, onde o que mais aproveitamos foram as interações orais mesmo. O curso também rendeu uma visita à Trois-Rivières que, mesmo com tempo feio é linda!

Daí a gente olha lá atrás, faz uma auto-análise da nossa evolução e claro, lembramos da Gláucia, do Roger, da Maude, do Bruno, das tutrices da FEL, da Julie, da Geneviève, do Mario, da Edith e da Lise. Pessoas chave nesse processo. Devemos à eles grande parte do nosso sucesso nessa terra. On vous remercie, chers professeurs!

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PARA O JOVEM DEIXAR SUA MARCA

Através do programa Destination 2030, lançado recentemente pelo Governo, está aberto um canal de comunicação bastante interessante para os jovens québécois que pensam e agem em prol do futuro da província.

Trata-se de uma plataforma onde a jeunesse é convidada a dar seu pitaco sobre o que eles esperam em termos de globalização, saúde, cultura, emprego e meio-ambiente daqui até 2030. E teoricamente essas ideias além de servirem como termômetro para o que virá nas próximas décadas também serão debatidas por governantes e os próprios estudantes já que será deles a mão no comando quando a hora chegar.

A iniciativa é encabeçada, entre outros, pelo agora deputado Léo Bureau-Blouin que foi um dos líderes do Printemps Érable no ano passado. O vídeo explica melhor tudo isso. Gosto de ver esse tipo de ideia surgindo e movimentando a juventude por questões tão importantes. Que bons frutos sejam colhidos com essa experiência!

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INDO ÀS COMPRAS

Dias atrás alcançamos a marca de 5 meses vivendo aqui do lado de cima do globo. Com esse tempo de estrada dá pra gente se acostumar com a moeda, os preços, com os produtos do mercado, e assim traçar um paralelo com a realidade que encontrávamos no BR. Mesmo a gente convertendo tudo, já que sem emprego ainda gastamos nossos suados reaizinhos, notamos que o poder de compra aqui é grande. Mas vamos focar esse post apenas na alimentação pois acredito ser o principal interesse de quem está na fila pra conhecer o lado de cá.

Aqui as pessoas fazer a épicerie semanalmente, o que particularmente acho ótimo pois sempre odiei a tal “compra do mês”. Por isso os supermercados sempre fazem muitas promoções. Promoção de verdade, diga-se de passagem. Há até quem diga que existe uma espécie de rodízio do preço baixo, ou seja, a cada semana um artigo essencial está en spécial num mercado enquanto no concorrente tem outro artigo com precinho e em outro mais um, e daí na semana seguinte há uma espécie de revezamento, e assim sucessivamente. Não tive tempo de conferir isso mas não duvido nada. Isso é tarefa fácil pra quem aproveita as ofertas que aparecem religiosamente no Circulaires.ca, no Publisac.ca e usam os cupons de descontos que, aqui em casa, chegam na caixa de correio misteriosamente sem a gente nunca ter pedido, e que ajudam a gente a economizar ainda mais. O destaque fica para o Super C e o Maxi, onde o preço é bom SEMPRE.

Então assim, não vou fazer lista de mercado com preço de cada item pro post não ficar uma chatice só. Além disso, cada família sabe das suas prioridades e o que consome. Mas posso dizer que aqui em casa com 2 adultos, um adolescente bom de boca e uma bebê com suas peculiaridades alimentares, o custo mensal é igual ou menor ao que tínhamos no BR (cerca de R$400). Sim, e o grande trunfo nessa história toda eu acho que já identifiquei: de
maneira geral aqui a gente paga o mesmo valor que no BR na maioria dos itens essenciais porém por uma embalagem com quantidade até 25% maior. Ou seja, rende mais. Isso pra não citar fatores difíceis de medir como iogurte com polpa de fruta COM polpa de fruta lá dentro, embalagens que funcionam sem desperdiçar o produto e uma variedade imensa de produtos que muitas vezes no BR a gente não tem acesso devido aos preços abusivos. Mesmo economizando a gente sempre mata as vontades.

Descobrir os produtos aqui é uma aventura constante onde aos poucos vamos selecionando nossos preferidos, conhecendo novas opções e as marcas que valem a pena ou não. Não, eu NÃO estou com saudades nenhuma de pão de queijo, coxinha e picanha. E não sei se sentirei falta tão cedo. Ao contrário, eu quero é experimentar ainda um mundo de sabores que posso provar aqui.

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ARTE PÚBLICA

Eu sempre tive um olhar especial para a arte pública das cidades onde morei ou visitei. Guardo com carinho fotos e momentos que passei, onde essas obras marcaram seu espaço, muitas vezes abandonadas. A maioria das pessoas não nota os belos monumentos, esculturas e peças que enfeitam as nossas ruas e praças por conta da rotina atribulada e apressada. Uma pena.

Qual não foi minha surpresa dia desses quando eu soube que a prefeitura de Montréal acaba de lançar a carte d’art public. Com ela somos convidados a descobrir mais de 100 obras divididas em 5 circuitos diferentes. Os mapinhas estão disponíveis no La Vitrine, postos do Info-touriste e numa das 43 bibliotecas da cidade. Além disso, nas obras onde houver o logo ARTV será possível assistir através do app artvrama um vídeo curtinho falando mais sobre a história da dita cuja.

É ou não é pra me deixar feliz e com bons planos pro final de semana?

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