A VIDA SEM CARRO vs. A VIDA COM CARRO

Lá no início a nossa meta era permanecer no mínimo durante 1 ano sem carro. Primeiro, porque, afinal, nos mudamos para uma cidade onde o transporte público existe e precisamos usar e abusar disso. Segundo, por que escolhemos morar numa região bem
servida em matéria de transporte público e perto de tudo o que precisamos. E finalmente, para darmos uma forcinha pra Mãe Natureza, certo?

De fato o serviço público de transporte é bem administrado e se não é perfeito ao menos funciona muito bem, obrigado. A primeira coisa que impressiona é a pontualidade. Em 90% das vezes que você consultar o horário do seu autobus no aplicativo da STM, pode crer que lá ele estará. No inverno, isso faz uma enorme diferença. Passamos nossos primeiros meses gelados totalmente dependentes de ônibus e metrô. Logo nos acostumamos com um cordial ‘bonjour’ a cada vez que embarcávamos. Mas se por um lado sobra acessibilidade nos ônibus para carrinhos de bebê e pessoas com necessidades especiais, esqueceram de contemplar a rede subterrânea com a mesma regra. Ir e voltar debaixo da terra pode ser uma operação complicada. Poucas estações têm elevadores e em alguns casos não há escadas rolantes. Como faz? Haja braço! Mas vemos muitas estações em obras e a esperança é de que isso se reflita em acessibilidade para todos. Os trens em si são bem velhinhos. No lugar dos trilhos, pneus. É o primeiro impacto negativo para quem chega de SP, onde temos estações bonitinhas e trens novinhos em folha… porém abarrotados. Conto nos dedos quantas vezes peguei metrô cheio aqui. Atenção, eu disse cheio e não em lata de sardinha mode on. Isso ainda não aconteceu.

Resumo da nossa vida sem carro: dá pra viver aqui tranquilamente sem ter um automóvel. Além de te levar em quase todo lugar, é mais barato e funciona. Em situações específicas, como numa viagem ou para uma compra mais pesada, existem opções de covoiturage e vários programas de aluguel de carros para todos os bolsos. Além disso, Montréal foi eleita a melhor cidade nas Américas para o ciclista. Quando chega a primavera e até o final do outono as magrelas invadem as ruas. É lindo de ver e saber que isso é possível numa metrópole.

OK, se é tão mil maravilhas assim, por que é que eu comprei um carro? Um fator pesou na nossa decisão: família. Percebemos que tudo o que foi descrito até aqui funciona perfeitamente pra quem é solteiro ou para um casal sem filhos. No nosso caso, com uma
criança pequena e um adolescente a coisa muda. Ir ao mercado para as compras da semana, apenas para citar um exemplo, não é tarefa das mais agradáveis mesmo morando perto do dito cujo. Carregar compras de uma ou duas pessoas é sussa. Agora dobre esse volume sem dobrar o número de braços pra carregar e imagine a dificuldade. E pense na mesma atividade num frio de -20C… Bom, né?

Além disso, com um carro a gente ganha mobilidade e pode, por exemplo, pesquisar preço por aí sem ter que se entregar pra primeira oferta que aparece. Pra quem é economista, como a gente, isso faz a diferença também. Outra necessidade que sentíamos é a de explorar mais a cidade e os arredores. Já estavámos há mais de 8 meses percorrendo diariamente os mesmos caminhos, muitas vezes por baixo da terra. Chega um ponto que fica tão chato que você nem conhece direito a cidade onde mora. E poder colocar todo mundo dentro do carro, com tralhas de criança e tudo o que tiver direito, partir (ou voltar) rapidamente, facilita demais a vida. Só quem tem filhos sabe.

Portanto, na nossa concepção, salvo se você tem crianças, não há necessidade de ter um automóvel em Montréal. Ou pelo menos, você não precisa sair correndo pra comprar um. Ou talvez tudo o que eu disse até agora é besteira e o bom mesmo é fazer tudo à pé.

E não vou nem comentar a facilidade em matéria de preço e financiamento. É tentador! Ainda mais pra quem amargou um Golzinho 97 nos últimos anos dando problema mês sim e outro também.

Não vou alongar ainda mais o post com o assunto da carteira de motorista nem sobre achat/location de veículos já que há inúmeros blogs que exploraram suficientemente esses temas na comunidade. Mas quem quiser deixar aqui sua dúvida ou pergunta, responderei com prazer.

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7 respostas para A VIDA SEM CARRO vs. A VIDA COM CARRO

  1. OI Thiago!
    Muito bom seu post!
    Não vejo falarem muito de táxi, como funciona? Pode ser uma opção neste caso das compras quando ainda não se tem carro, não? 😉

    • thiagoocampo disse:

      Oi, Vanessa! Usamos taxi aqui acho que umas 2 vezes somente. Preço? Normal. Nem barato, nem absurdo. Se é uma opçao, como vc disse, vai depender da distancia e do peso q vc vai carregar. Pra fazer uma compra no IKEA por exemplo, vale mais a pena alugar uma van. Enfim, é sim uma opcao acessivel mas vai depender de outros fatores. Os taxistas tem fama de barbeiros e os causadores de problemas nmo transito daqui, algo q eu concordo.
      Abraço!

  2. gabi disse:

    é, a gente comprou o carro quando resolvemos morar em région, e agora fazendo Montréal-Québec a cada 3 ou 4 meses pra visitar a familia, nao tem como escapar …
    Montréal é bem mais acessivel para bikes do que Québec, aqui as pistas ciclaveis sao uma piada 😦

  3. Carlos disse:

    Mil Perdões Thiago, que furada troquei o nome do meu amigo que estava falando comigo ao telefone(Rafaell)!!!!!
    Por favor retire o meu cometário acima.
    Abraços
    Carlos Henrique

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