PROCURANDO EMPREGO: O LADO EMOCIONAL

Digamos que você já se sente pronto pra trabalhar. Fez bem a lição de casa. Sabe por onde começar, onde ir e o quê fazer. Francês e inglês na ponta da língua, ou quase. Enfim, é hora de botar a mão na massa, mandar seus CVs e lançar a sorte. Maravilha! Você faz tudo como manda o figurino. Passa uma semana e nada de respostas, nenhuma ligação. Na semana seguinte apenas uma entrevista por telefone que acaba não dando em nada (e você não sabe o motivo). Até aqui você já mandou cerca de 50 CVs. Uma pulga começa a coçar atrás da sua orelha. Mas bola pra frente. Ao final do primeiro mês você não teve nem 10% de retorno positivo, ou seja, pouquíssimos convites para entrevista. O que há de errado?

Nessa fase tão inglória a gente se faz essa pergunta inúmeras vezes. O exemplo acima é algo que acontece de verdade. E pode se repetir pelo terceiro, quarto, quinto mês. O que vai acabar por afetar seu estado emocional, sem dúvida. Eu aprendi muitas coisas nessa terrível etapa de incertezas que é a vida de um desempregado em terra desconhecida. Uma delas, a mais importante talvez, foi saber que é preciso domar as emoções, dúvidas e desesperos. Uma pena que eu tenha aprendido isso tarde demais. Teria me poupado muitas lágrimas e boas horas sem dormir. Infelizmente isso é algo que não se ensina. É preciso ter consciência de que muitas vezes você é seu próprio inimigo e ponto. Ficar atento e lutar contra esse mal.

Ter de lidar com derrotas não é fácil, todos sabemos. Derrota e pressão, pior ainda. E essa pressão pode às vezes nem existir. São diversos os fatores de pressão externa que nada ajudam na sua caminhada. Desligar-se disso é difícil, são geralmente os exemplos nos
quais nos espelhamos, mas posso dizer que frustar-se dessa forma também não vai ajudar. O fator emocional me afetou muito. Já pra Lizie foi quase nada. Quer dizer, não existem regras e talvez tudo o que eu diga nesse post pra alguns será pura besteira. Mas, acreditem, isso acontece.

Eu sofri demais com essa pressão emocional que eu mesmo criava. Coisas que me distanciavam do meu objetivo, me traziam raiva e até uma sensação de injustica. Teorias com ou sem fundamento, sobre preconceito e má avaliação, por exemplo, que no final das
contas não serviam pra muita coisa. Aprendi com isso mas não foi fácil. Então, para curar essa ressaca eu percebi que o melhor era voltar-se pr’aquilo que de fato poderia contar à favor.

Uma das ações práticas que é preciso tomar nesses casos é auto-avaliar seu caminho, ou seja, ver se é preciso reconsiderar alguma hipótese. Eu comi bola por pelo menos dois meses, insistindo numa área que não me dava retorno. Por sonho e por acreditar que
era possível. Infelizmente não foi. Não posso dizer também que perdi tempo pois eu precisava passar por aquilo, eu precisava tentar. Foi fonte de conflito emocional e dúvidas. Por isso, aos poucos eu fui desistindo de procurar vagas em Turismo e em Organização de Eventos e parti pro campo Administrativo e de Atendimento ao Cliente.

A falta de entrevistas me fez reconsiderar meu caminho e eu resolvi abrir o leque de opções. Essa mudança de planos e de foco me rendeu muito mais frutos. Vão-se os anéis ficam os dedos, n’est-ce pas? Esqueça essas histórias de emprego rápido ou fácil. Não é
assim em 90% dos casos. A gente tende a achar que as coisas aqui são mais fáceis mas nem sempre é assim.

Pra concluir posso afirmar que paz de espírito é fundamental. Algo a se conquistar. Família e espiritualidade foram minhas fontes de energia, minha fortaleza. Só sei que a gente sai fortalecido dessas batalhas. Quando estamos do lado de lá, esperando por esses dias, achamos que vai ser assim-assado. Mas são tantos os caminhos, as dificuldades e os desafios que tornam a vida real mais intensa e complicada do que o esperado. Precisa estar preparado pra isso. Talvez eu não estivesse. Mas feliz de quem tem base para superar tudo isso.

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10 respostas para PROCURANDO EMPREGO: O LADO EMOCIONAL

  1. gabi disse:

    a honestidade é rara no mundo virtual, muitos pintam um quadro sempre azul e lindo aqui nas terras frias.
    Parabéns pela coragem em expôr das dificuldades.
    Eu consegui emprego com menos de 10 dias de Canada, mas era em funçao bem inferior ao meu cargo e status profissional (como enfermeira nao da para trabalhar sem ter a autorizaçao das ordem profissional e eu nao tinha $$ sobrando para esperar o processo sem trampo). Foi muito dificil, mesmo sabendo que a luz no fim do tunel era real e nao imaginaria.

    Aos poucos as coisas vao se ajeitando 🙂

    • thiagoocampo disse:

      Obrigado, Gabi! Pois é, cada um tem uma historia diferente e particular. Eu nao tenho problema algum em falar a real até pq acho isso extremamente util pra quem vem por ai. Serve de alerta. Td mundo se empolga com a ideia de primeiro mundo mas chega aqui e enfrenta perrengues q te fazem crescer sim mas sao quand meme duros de suportar. Acho q vale falar as coisas boas mas tbm alertar pras dificuldades. Bjos!

  2. Alessandra disse:

    Oi Thiago,
    Muito Obrigada por compartilhar conosco.
    Me identifiquei muito com este post.
    Moramos aqui há 6 meses e estamos passando exatamente pela mesma situação.
    Sua situação é idêntica à de meu marido.
    O fator emocional tem afetado muito ele e eu estou mais tranquila.
    Seu post me incentivou a tentar telefonar mais uma vez para um empregador da empresa na qual eu quero muito trabalhar. Eu percebi que eu estava sendo minha própria inimiga, protelando o telefonema, por ter tentando várias vezes sem sucesso e por não gostar de falar no telefone. Ainda mais em francês… Após ler seu post, tomei coragem e telefonei!
    Finalmente consegui falar com este empregador e ele foi muito atencioso comigo e ficou de ver se consegue uma vaga para mim 🙂
    Outra coincidência é que meu marido é administrador e está procurando trabalho em hotelaria, turismo ou atendimento ao cliente que são as áreas que ele tem experiência.
    E o que tem nos ajudado também é a espiritualidade e a família.
    Acredito que estamos passando pela fase mais difícil, e agora é a hora de sermos fortes e de não nos sabotarmos, sermos positivos e criativos para encontrarmos alternativas e visualizarmos novas possibilidades.
    Courage mon ami!
    Estamos juntos nesta batalha!
    Abraço,
    Alessandra

    • thiagoocampo disse:

      Alessandra, são comentários como o seu q fazem com q eu leve esse blog em frente à pesar da falta de tempo. Fico feliz demais em saber q sem querer querendo ajudei um pouquinho. Torço pelo sucesso de vcs. Sorte e persistência. Abraço!

  3. Mari Cimini disse:

    Oi Thiago, você expressou exatamente o que eu estou sentindo nesse momento. Terminei minha pós graduação em toronto, e estava apenas focando em uma área, depois de um mês procurando emprego, e até tendo entrevistas resolvi ampliar o foco. Sucesso pra você.

    http://vireicanadense.blogspot.ca/

  4. Carlos disse:

    Oi Thiago, muito bom e sincero o seu post.
    Nada vem de graça neste mundo, como você mesmo disse:
    -“Vamos valorizar o lado bom da vida’!!
    Um abra;o
    Carlos Henrique

    • thiagoocampo disse:

      É, Carlos… a vida de imigrante tá longe de ser um mar de rosas. Ao menos no primeiro ano. É tanta coisa q acontece q a gente nem pisca e já passou… mas não me arrependo nem por um segundo. Abraço!

  5. Julia disse:

    Parabéns! Não é fácil, mas faz parte dessa história de começar uma nova vida em outro hemisfério. Ainda bem que vocês conseguem enxergar o lado bom e usar a experiência para crescerem e ficarem mais fortes. Sempre bom valorizar o lado bom das coisas! 🙂

    • thiagoocampo disse:

      Julia, a gente aprende isso logo. Com a bagagem q rrazemos de um lugar cheio de coisas q não aguentávamos e com tanta coisa q tivemos q renunciar hj podemos ver a vida de outro jeito. Bjo

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