CURSO DE FRANCISATION DO MICC: CHECKED!

Eu contei aqui a nossa aventura para admissão na session d’hiver do curso de francisation à temps complet do MICC, lembram? O tempo voa e lá se foram nossas 11 semanas de estudos. Diploma na mão e felizes com o resultado. Então, eu resolvi compartilhar com os queridos leitores as nossas impressões sobre este que é o curso “alvo” para 9 entre 10 brasileiros que planejam continuar os estudos do idioma ao chegar aqui.

Primeiro é preciso dizer que o CÉGEP Vieux-Montréal tem uma estrutura fantástica à disposição do aluno, apesar do prédio anexo, onde as turmas da francisation estão instaladas, não ser lá aquelas coisas. Ginásio, biblioteca, DVDs, refeitórios e cursos extra disponíveis, no climão high school. Os gaiatos aqui sentiram-se num seriado teen, tipo Smallville ou The Vampire Diaries.

Meu primeiro diploma gringo, um orgulho sem tamanho

Meu primeiro diploma gringo, um orgulho sem tamanho

Com os professores foi uma relação de amor à primeira vista. Ou quase. Nossa professora, uma québécoise de origem italiana, nos cativou desde o primeiro dia. Com seu jeito mamma mia, acolheu seus filhos mas manteve a severidade necessária. A cada aula uma lição sobre cidadania, coisa que só alguém com seus 50 anos de QC pode oferecer. Uma delícia ouvir suas histórias e melhor ainda, aprender a parte gramatical de maneira tão simples e objetiva. Mas, como sempre tem um “mas”, ela precisou sair de férias por 1 mês. Mesmo à contra-gosto. O MICC mandou para substituí-la uma pessoa da qual temos até
preguiça de falar. Uma professora sem carisma, quadrada na arte de ensinar e que não manjava nada de imigrante e do material. Conclusão: 1 mês de marasmo e a triste certeza de tempo perdido. Felizmente a nossa mamma voltou e ainda tivemos umas semaninhas para aprender mais.

Na parte da tarde uma pessoa trazia assuntos do cotidianos e da sociedade pra fazer os alunos soltarem a língua. Mais uma vez tivemos sorte e a nossa animatrice era alguém jovem, roteirista-descolada-zen e conhecedora do comportamento do québécois regular. Com ela saímos para visitas ao Musée de Beaux-Arts e no Centre d’Histoire de Montréal, por exemplo. Inesquecíveis! Mas infelizmente (de novo!) ela teve que se desligar do MICC no meio do jogo para dedicar-se a um projeto indispensável na TV. Neste caso a troca felizmente foi de ótimo para ainda melhor. Quem a substituiu foi um homem, com seus 50 e tantos anos e um vigor de menino. Bem-humorado, falante, dedicado. Com ele fomos ao novíssimo Planetarium, na cabane à sucre e tivemos uma journée sportive, além de muita informação relativa ao mercado de trabalho. Um apaixonado pela cultura latina, foi portanto um piscar de olhos pra passar esse relacionamento para algo extra classe.

Quanto aos alunos, podemos dizer que apesar de não ser uma classe unida sempre houve muito respeito, ajuda entre os alunos e um ambiente muito agradável. Pessoas de origens diferentes com maioria latina. Níveis também muito distintos. Podemos dizer que dos 17 alunos que terminaram o curso apenas 6 tinham alcançado o nível 3 de fato. O restante estava dividido entre regular e ruim. E essa não é uma análise minha apenas, diga-se. Aí a gente pára e pensa que se a Dona Marois quer tanto a soberania francófona na província era bom alguém avisar pra ela que tem algo errado na avaliação dos alunos na francisation, né? OK, isso depende de vários fatores, inclusive vontade de aprender. Podemos falar por nós apenas. Nessas 11 semanas nos dedicamos demais ao francês e não só durante as aulas. Talvez esse tenha sido o segredo do nosso sucesso.

Enfim, fomos abençoados. Pessoas das quais lembraremos para sempre, que nos ajudaram muito, nos motivaram e hoje podemos dizer que transformaram-se em verdadeiros amigos.

E como sentimos a nossa evolução no idioma? Melhoramos demais! Foi uma evolução rápida. Chegamos aqui entendendo 70% do que nos falavam e hoje isso só não bate 100% se for um papo muito rápido. Oral é sempre a parte mais complicada. Chegamos tímidos e às vezes apelávamos pro inglês. Hoje falamos sem medo, adquirimos muito vocabulário e recebemos vários elogios, principalmente dos québécoises da gema. E só falamos inglês quando a outra pessoa insiste. Mas temos noção que é possível melhorar mais um tiquinho. Por isso, no próximo dia 07 vamos começar um curso de meio período voltado para a parte oral no Centre Lartigue, da Commission Scolaire. As referências são ótimas e estamos ansiosos pra ver o que nos espera.

Pra concluir, uma dica. Que é uma dica e não regra, vejam bem. Se me perguntarem se “vale a pena continuar estudando francês no BR enquanto eu espero meu visto?”, eu respondo que “não só vale a pena como você deve fazer isso”. Agora, não aconselho a pessoa se endividar nos cursos sempre caríssimos que encontramos por lá, pois a evolução é quase sempre muito lenta em relação ao que se pode alcançar aqui em poucos meses de graça ou por preço módico. Dessa forma, acho mais inteligente poupar essa grana e estudar por conta própria, abusando da FEL e de todo material que a internet oferece pra gente como exercícios, filmes e músicas, textos e vídeos de sites com temas diversos daqui, etc.

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8 respostas para CURSO DE FRANCISATION DO MICC: CHECKED!

  1. Fernanda Garcês disse:

    Olá, eu tenho interesse imigrar para o Canadá, especificamente Quebec e gostaria de contatos com pessoas que imigraram para o canada, tipo skype, e tipo t]ô tendo dificuldades com isso, eu não tenho nenhuma psicose, só quero conversar ter informações e interação social. Ah também não tô afim de paquerar não, sou mãe de família e bem casada, realmente eu só quero uma relação saudável de amizade. você pode me ajudar?

  2. gabi disse:

    eu ja ouvi bons e maus relatos da francisaçao. Como nao fiz, nao posso tecer comentarios, mas é sempre bom ver que ha bons exemplos.
    E o prédio anexo ao CVM tb foi minha *casa*, foi la que fiz minha equivalência para ser enfermeira aqui na terrinha … vish, isso foi em 2008, como o tempo voa!

  3. Camila disse:

    Ah, que sorte vcs tiveram Thiago.
    Eu comecei a minha francisação essa semana e não estou nem um pouco contente. Não sei se o problema é a escola, a professora, a turma ou os 3. Vou dps tb fazer um post sobre o assunto. Mas o que deu pra perceber já é que se continuar como está eu vou acabar desistindo.
    Boa sorte no curso novo. Tomara que vcs continuem com professores bons que estimulam os alunos!
    Bjos

  4. Carlos Henrique disse:

    Oi Thiago, depois deste ótimo relato dá até vontade de ter aula com a Mamma…
    Nossa! que alegria ler como andam as coisas por aí, isso só nos incentiva a continuar esperando o Combo… e tome paciëncia!!!!!!!!!!!!!
    Um abraço,
    Carlos Henrique

    • thiagoocampo disse:

      CH, desejo a sorte q tivemos com os professores para tds q aqui chegarem. E boa sorte aí na fila… demora mas qdo acontecer verá q valeu a pena esperar.

      Abraço!

  5. Brazucoise disse:

    Bom ler este post pra dar um gás nos meus estudos.
    Ando empurrando a FEL com a barriga, sem um pingo de tesão de me dedicar mais. E tenho consciência de que estou com uma baita ferramenta nas mãos, mas o desânimo desta espera grita mais alto no meu ouvido.

    Obrigada pelo incentivo!
    Vida que segue…

    Abraços
    Nilian

    • thiagoocampo disse:

      Sei como é essa sensação, Nilian. Mas não desanima… se cobre essa energia extra e extraia o melhor do FEL e de td o q vc pode ter pela net q vale mto à pena!

      Bjos

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