UM PROCESSO DE DESPOLUIÇÃO INTERNA

Desolé! Ainda não estou conseguindo postar com a frequência que gostaria. Neste final-de-semana comemoraremos 2 meses da nossa chegada e ainda não consigo encaixar os posts como deveria mas já estamos entrando numa certa rotina e preparando infos bem interessantes pra compartilhar com todos em breve.

Hoje eu quero falar um pouco sobre aquilo que mais facilmente se nota assim que pisamos em solo québécois. E não é o frio. É algo que eu chamo de “um processo de despoluição interna”.

Principalmente pra quem viveu numa metrópole como SP, com suas peculiaridades agradáveis e seus problemas crônicos. Mas certas marcas são notáveis em todo BR, acredito. E são justamente essas manchas insuportáveis que começamos a eliminar rapidamente. Uma sujeira na alma. Colocadas ali com o passar dos anos ou que nós mesmos às vezes a deixamos crescer. Peut-être.

Esse processo é indolor mas chocante. Atitudes de gentileza e respeito com o próximo, antes vistos como supérfluas, tornam-se comuns e naturais. Salta aos olhos os carros que param em qualquer esquina para você atravessar, ainda mais se você carrega um carrinho de bebê. O “bom dia” do motorista do ônibus chega a emocionar a gente acostumada com caras feias e grosserias. O vai-e-vem fácil dentro do metrô, que se não é moderno ao menos não é também uma lata de sardinhas. E o que dizer do funcionário público, que além de fazer seu trabalho bem feito e sem burocracia ainda toma tempo pra te dar umas dicas quando percebe que você é um nouveau arrivant? Sem interesse, sem segunda intenção, apenas pelo “bem fazer”. Nada de ping-pong nas repartições públicas, mil vias disso e
daquilo, autenticações, carimbos e ter que ser amigo “do cara” pra conseguir aquilo que é meu por direito. Bienvenue au Québec! Ainda me surpreendo com essas atitudes e espero que não se acabe tão cedo.

Quero dizer que aqui é o mundo perfeito? Obviamente que não. Já experimentamos situações bastante conhecidas do nosso passado, claro. Mas a proporção é algo incomparável.

Honestidade, cortesia, respeito, igualdade, civilidade. É bom saber que esses conceitos ainda existem e que poderemos desfrutá-los no nosso dia-a-dia. E despoluir-nos.

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16 respostas para UM PROCESSO DE DESPOLUIÇÃO INTERNA

  1. Waleska disse:

    Chorei! (sério!!!)
    Você descreveu de uma maneira tão perfeita o que eu apenas sinto… e este é o meu fator motivacional número 1 para persistir no projeto de imigrar. Eu morei uma época nos EUA em uma cidade assim, e daí pulei para a cidade mais mal educada e desamparada do Brasil: Salvador-BA…

    • thiagoocampo disse:

      Obrigado! Fico feliz por saber q o post ajuda as pessoas de alguma forma. A gente sempre opta por compartilhar a nossa visão das coisas e sabemos q isso pode variar facilmente de um pro outro. Mas tds concordam q na prática a mudabça é positiva em mais de 50%. Boa sorte por aí.

  2. Dea disse:

    Exatamente… acho que é bem por aí! Precisamos primeiro perder essa camada de defesa, que nos amedronta e embrutece, e depois ir perdendo outros vícios, que temos e não nos damos conta… a poeira chega sorrateiramente e se não a sacudimos de tempos em tempos, ela gruda na pele… um brinde à despoluição! 😉

    Abraço!

  3. Luciana disse:

    Olá!
    Faz tempo que acompanho a tua saga e hj resolvi escrever. Tomara que eu consiga ir para aí e seja isso mesmo!!!!
    Estou indo agora no final de maio fazer um intercâmbio e uma “viagem de reconhecimento” em Montreal, pois nas palestras tudo parece tranquilo demias para ser verdade hehehehe
    Sucesso p/ ti!
    Abraço

  4. Brazucoise disse:

    Ai, GêZuZ, cadê meu visto?! Preciso urgente da minha clínica de reabilitação chamada Ville de Québec!!!

    Ótimo post, Thiago. Incentivou-nos ainda mais!
    Obrigada!

    Abraços
    Nilian

  5. Mère disse:

    Thiago, é muito confortante ler esse texto nesse momento de nossas vidas. Espero estar aí o mais rápido possível. Parabéns pela conquista! Abraços.

  6. Camila disse:

    Sabe o melhor dessa história toda? É saber que dá pra despoluir. É só passar um tempo por aí que a gnt esquece de andar agarrado na bolsa, de ter medo da própria sombra, de olhar para desconhecidos com receio, esquece que você pode estacionar seu carro na rua e nenhum guardador de carros virá te “ameaçar” (só não vale esquecer do parquímetro), e se acostuma a viver em uma sociedade mais justa e correta, e de repente esse é o padrão e não o contrário.
    Assim como deveria ser aqui, aí ou em qualquer outro lugar do mundo.
    E quem venha o próximo mês!
    Bjos

  7. Oi, Tiago!
    Que bom ler isso… Acho que é esse tipo de coisa que cada um de nós, candidatos a imigração, busca quando resolve sair do nosso Brasil-sil-sil… Fico feliz em saber que vocês já conseguiram encontrar. E daqui pra frente só melhora, aposto! 😉
    Abraços,
    Lidia.

    • thiagoocampo disse:

      Lídia, desejo q cada um de vcs q estão nessa bendita fila possam conviver aqui conosco dessas “melhorias” o qto antes! Tenham paciência… como eu já te disse anteriormente: qdo essa hora chegar vc vai esquecer td o q passou… se bem q é sempre bom lembrar de vez em qdo pra gente dar o devido valor. Abraço!

  8. Olá Thiago,
    Que texto mais gostoso de ler! Um português corrido, enxugando e claro. Adoro o zelo pela própria língua. Suas experiências nos encantam cada vez mais! Estou carecendo desse processo de despoluição interna e profunda! Ontem, ao ligar para os Bancos Canadenses e a possível Futura Escola do David ai, fiquei tão feliz que me veio lágrimas nos olhos. Como os canadenses são gentis, claros, objetivos e têm um respeito e preocupação pelo individuo e pelo coletivo também. Eu foi tão respeito, ouvido, mesmo com francês sofrível. No Brasil, ao escutarem meu sotaque cearense, começa-se um processo de força para se obter respeito. Quando é que esse país vai entender que sotaque é Cultura? Nunca! Estou caindo fora graças a Deus!

  9. diariodeimigrante disse:

    Ah meu amigo, bem vindo a um pais de verdade… nao projeto fracassado de pais… Por isso que eu to me delacerando por dentro, por ter que ir para o Brasil, so Deus sabe o que eu to sentindo e nao vejo a hora de sair la… nem cheguei, mas ja quero ir embora… Eu acho isso lamentavel e triste, uma vez que nasci naquele pais e deveria me sentir bem la, mas nao sinto 😦
    Sorte e sucesso neste processo, logo vcs terao completado este processo e uma certeza vira por certo, voces vao parar e pensar: Sair do Brasil foi a melhor coisa que fiz em minha vida. Pode apostar.

    • thiagoocampo disse:

      Carlos, boa sorte!!! ahahahah…
      Pior é q daqui a gente acompanha as notícias de Calheiros e Pastores fulano de tal e só consegue pensar uma coisa: graças a Deus q não vivo mais isso na minha rotina!
      Abraço

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