NOSSA SAGA PARA A FRANCISATION (COM FINAL FELIZ)

Antes de mais nada eu quero só fechar o ciclo do que foi dito aqui e aqui, nos posts onde eu comentava a minha experiência com a FEL. Eu estava fazendo o Bloc 3 no BR e a Lizie estava no 4. Modo de falar pois, mal tocávamos nas lições. Fiquei muito desmotivado nesta terceira parte pois logo de cara tive uma situação bem desconfortável com a minha tutrice. Ela foi bastante intransigente e faltou com o bom senso em alguns momentos, mas não vou
me aprofundar no assunto. Isto, misturado ao cansaço na espera do Federal me fez largar de mão a FEL. Finalmente, a minha conclusão sobre o curso de francês à distância oferecido pelo QC é que esta plataforma de estudos precisa ser melhorada para torná-la mais atrativa. Contudo, como ferramenta para dar ao futuro imigrante uma base sobre a sociedade québecois, ela é fantástica. Ou seja, não é “grandes coisa” mas vale a tentativa.

Isto posto, vamos ao que interessa. Fizemos nossa inscrição on-line para o curso de francisation à temps complet do MICC na nossa primeira noite aqui. A gente sabia que para entrar nesse curso seria preciso remar contra a maré. Isso porque a próxima sessão começaria dali há menos de 1 mês, e sabemos como essas vagas são preenchidas rapidamente. Queríamos esse curso basicamente por ser em tempo integral já que nosso plano é de recuperar o tempo perdido sem estudar francês no BR como deveríamos, para podermos entrar logo no mercado de trabalho. E claro, pela ajuda que o MICC paga. No dia seguinte fomos lá entregar os documentos que eles pedem, tudo sem complicação, e após aproximadamente 10 dias recebemos o comunicado marcando nossa évaluation para dali há quase 2 semanas. Estávamos no caminho certo!

A gente só pensava em fazer uma boa prova pra escapar do nível 1 onde, teoricamente, a maioria dos imigrantes recém-chegados se encontra, segundo estatísticas. Caso contrário isso limaria nossas chances de começar a estudar imediatamente. Fizemos uma revisão básica dos estudos e fomos pro tudo ou nada. Pra nossa surpresa e motivação entramos no nível 3, o último. Com direito a elogio dos nossos avaliadores. Uma conversa de 10 minutos e uma redação nos deram o passaporte da alegria. Ou quase. Nada estava garantido pois tínhamos que esperar outro funcionário do MICC, responsável por formar as turmas, nos
ligar para confirmar que as vagas estavam abertas pra gente. Mas os avaliadores nos deixaram bem animados. Ponto pra gente mais uma vez!

A nova sessão de estudos começou no último dia 13, uma quarta-feira. Passa quinta, passa sexta e nada do telefone tocar. No sábado a gente já tinha jogado a toalha e estávamos nos planejando para conhecer os cursos da Commission Scolaire quando a tal funcionária ligou. Estava tudo certo para preenchermos vagas remanescentes já na segunda-feira. Super! Objetivo alcançado!

O problema é que neste caso quem escolhe o local onde você vai estudar é o MICC e estavam nos colocando numa escola muito longe de casa. Nossos avaliadores garantiram que seria na escola o mais perto possível e sabemos que aqui perto ficam os cursos da UQÀM e do Cégep Vieux Montréal, por exemplo. Então, acreditávamos que teria havido algum engano. Mas o pior de tudo é que, como a Laís vai à garderie logo cedo, não haveria tempo hábil para deixá-la e chegar à tempo para as aulas. Com esperanças, na segunda-feira de manhã lá estávamos nós no balcão do MICC mais uma vez. A intenção: conseguir que nos mudassem para uma sala mais conveniente.

Mas a mocinha que nos atendeu logo de cara foi enfática. “Não podemos fazer esse tipo de mudança aqui, desolée“. E eu pensando, “e agora, quem poderá me ajudar? A Marois?”, oras. Como a gente tinha argumentos e eu os considerava muito bons, resolvi insistir. Puxa daqui, aperta dali. Ela entrou no sistema, viu uma coisa e outra e veio com o parecer: não podia mudar, não tinha mais vaga, blá blá blá, chove-gruda-molha… que pra resolver o problema ou eu me mudava para mais perto da escola ou achava uma garderie por lá. Rá! Pensando friamente ela não estava 100% errada, veja. O Governo me dá o curso gratuitamente, me paga pra estudar e eu ainda quero escolher onde vou estudar? OK, mas por outro lado, meu pedido não era uma questão de conforto e sim de ordem prática. De que adianta me dar um curso se eu não vou poder assistir? Coloquei tudo isso na mesa. Última cartada. Além do mais eu tinha a sensação de que aquilo não era o ponto final. Resolvi insistir mais um pouquinho, afinal não superei todas as adversidades até aqui pra morrer na praia, não é mesmo? E a atendente foi falar com alguém. Sério, passamos quase 2 horas no MICC nesse dia. Finalmente, um senhor nos chega com a notícia de que estavam nos aceitando no Cégep Vieux Montréal e que no dia seguinte a gente já podia começar. Era o fim dessa jornada… mas início de uma nova.

Terminamos nossa primeira de 11 semanas de estudos. O curso é bem puxado, a professora é agradável mas exigente e há muitos exercícios para se fazer em casa. Na parte
da tarde temos uma animatrice que faz algo mais descontraído, com jogos e bate-papo. Ela também nos levará semanalmente para uma visita externa visando a integração social e conhecimento da história de Montréal e do QC. O grupo recebeu a gente muito bem. Há gente da Colômbia, México, Ucrânia, Egito, Síria, China, Hong Kong, Irã, Iraque e EUA, e além de nós, mais uma brasileira. Particularmente, eu achei que por ser nível 3 a classe em geral está um pouco aquém do que eu esperava. Imaginei que a gente fosse ter que ralar um bocado pra pegar um ritmo pesado do povo falando bem pra burro, mas não está sendo assim. Mas nada que desanime por enquanto. Estamos satisfeitos. Levamos 10-15 minutos para deixar a Laís na garderie de ônibus, vamos a pé para o curso e no fim do dia voltamos pra casa com a pequena na mesma tranquilidade.

As dicas que ficam: se você pretende entrar nesse curso tente se programar o melhor possível para chegar aqui em tempo de fazer a inscrição, o teste e ter alguma chance de ser chamado logo. Se algo der errado ou não estiver do seu agrado e você tiver bons argumentos, insista até sua última porção de esperança pois nada vem de mão beijada aqui. Isso vale para a francisation ou qualquer outra coisa. E finalmente, se não der pra fazer o cours à temps complet não perca tempo e vá para um cours à temps partiel do MICC ou da Commission Scolaire, que também é muitíssimo recomendado. Há quem diga até que é melhor do que o do MICC, mas o programa é basicamente o mesmo. A diferença é que lá você não recebe os chequinhos e paga uma mixaria de $50 por 6 meses de curso ou coisa
parecida. Ainda assim é uma ótima opção já que o mais importante é ter o français na ponta da língua le plus vite possible.

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10 respostas para NOSSA SAGA PARA A FRANCISATION (COM FINAL FELIZ)

  1. Rafaela sampaio disse:

    Olá Thiago

    Olha eu de novo, rsrs, desculpa mas eu vou te encher de perguntas, pq vcs chegaram na época que eu pretendo chegar e não encontro muitos relatos e dicas desse período. Além da ansiedade que tá em altíssimo nível.
    Antes de tudo quero agradecer por este post, pois eu não tinha me atentado quanto ao período de chegada e o início da francization.
    Pelo que entendi no seu relato tem turmas que iniciam em fevereiro, correto? Então seu eu chegar em dezembro ou janeiro, com sorte consigo entrar em uma turma dessas, hehe.
    Eu dei uma olhada no calendário do Vieux Montréal, mas não achei nada sobre a francization.

    Mais uma vez obrigada pela informações!!

    • thiagoocampo disse:

      Rafaela, vc não vai achar essa info no site do Cégep só no site do MICC. Lá tem td programação de cada sessão de cursos. Se vc quisr fazer esse curso a melhor dica é inscrever-se assim q vc chegar.

  2. Pingback: CURSO DE FRANCISATION DO MICC: CHECKED! | Penso, Logo Imigro

  3. Kenia disse:

    Olá!
    Adorei o blog! Eu e meu marido chegamos em Montréal há 2 semanas e estamos na correria de nos instalarmos… Adorei a dica sobre a francisation, vou amanhã entregar os meus documentos! Tomara que dê certo!

  4. Marcos Feitoza disse:

    Parabéns cara pelo Blog, muito bem dividido e atualizado. Gostei muito dessa dica do studio pronto, irei chegar no CAN em maio e essa sua dica vai nos ajudar muito na nossa escolha.

  5. Carlos Henrique disse:

    Oi Thiago, como sempre voces nos dão preciosos depoimentos!!!
    Estamos no federal aguardando o possível e interminável COMBO….
    Thiago voce poderia me dizer de quanto é o chequinho da Francisation ?
    Abracos..
    Carlos Henrique

  6. Camila disse:

    Mto bem! Mais uma vez agradeço imensamente o depoimento e as dicas de vcs. Já está tudo anotadinho aqui pra quando chegar a minha vez!
    Bjos

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