Tá caindo a ficha…

Salut, mes amis!! Eu que andava meio sumida, deixando o blog por conta do Thiago, resolvi dar um alô!

Blog serve também para desabafar, certo?
Supõe-se que as pessoas que lêem o seu blog tem, pelo menos, alguma coisa em comum com você, certo?
Então, vamos lá…


Li hoje no blog de uma amiga virtual (brasileira que já está no Canadá há algum tempo) o post sobre o falecimento de seu pai. Nele, ela retrata com muita veracidade e sentimento a intensidade de pequenos momentos da convivência com seu pai, das coisas que marcaram sua infância, a imagem que ela tinha dele, tudo o que ele significava para ela e para a família, que no fundo o que ela queria mesmo era um último abraço, etc… etc…
Caramba, que triste!! Me coloquei no lugar dela por um momento e, além da emoção que senti exatamente por isso, essa sensação ficou um pouco maior, mais pesada quando percebi que isso pode acontecer comigo…
PLIM!!! Caiu a ficha!


Estamos sonhando com o dia de ir embora, de começar uma vida nova, de concretizar todos aqueles planos e sonhos que já temos esquematizados tim-tim por tim-tim desde o dia em que decidimos embarcar nessa história. Essa é a parte boa, é o que nos move, o que nos faz acordar todo santo dia e rezar pro povo do consulado dar uma aceleradinha nas análises e mandar logo esse bendito pedido de exames para que algo de concreto aconteça. Um dia sai uma notícia que desanima, e logo no outro sai outra que anima. (Parênteses: Costumo dizer que não é o amor, mas a esperança é que é uma flor roxa que nasce no coração dos trouxas.. hehehe!)

Tá, mas eu estava falando do post que eu lí hoje e é exatamente essa a parte ruim… o “desapegar-se”. De coisas e, pior, de pessoas! É normal, eu sei… acontece! Para ter uma coisa é preciso abrir mão de outra e blá, blá, blá… mas dá um aperto no peito!
Agora que estamos no final do processo, me pego pensando nas coisas que devo levar ou deixar, no check list para não esquecer de “desfazer” nada, nas coisas para vender, doar, emprestar, jogar fora, etc. e… na inevitável e (por que não dizer?) triste hora dar tchau. Eu já passei por isso quando a minha irmã se mudou para Madrid, só que estava do lado de quem fica. Me lembro como se fosse hoje da despedida no aeroporto – Que dor! Que tristeza! Eu sabia que era a realização do sonho DELA mas eu senti tanto a falta da minha caçulinha! Chorei tanto! E meu pai, que já passou por isso com ela, vai ter que passar comigo também. Sofro de pensar na distância, por imaginar que pode acontecer alguma coisa e eu não estar por perto, ou não poder vir para cá acudir.
Penso no dia-a-dia da convivência que vai ser diferente (ok, eu sei que a “modernidade” aproximou as pessoas, tem skype, telefone, facebook e o escambau a quatro, mas… NÃO É A MESMA COISA!). Eu, justo eu, que nunca fui grudada na minha família e não entendia bem quando via pessoas assim, me pego agora “sofrendo” (por antecipação) pela distância (que pode nem ser tããão maior do que eu já vivenciei) de morar fora (caminho que eu mesma escolhi e que continuo achando que é melhor coisa que possa me acontecer).

Tenho que rir! Só posso estar ficando doida! Ou será que estou amadurecendo?! Antes eu simplesmente ia! Agora, eu vou… mas paro para pensar nos que ficam e na saudade que isso vai causar em mim e neles.

O fato é que vou me rasgar de saudades, mas tenho certeza que estou fazendo uma escolha consciente do que acho melhor para mim, pro meu marido, pros meus filhos e acho que estarmos longe da família e amigos pode ter suas vantagens: imagine o reencontro?! Vai ser o lado bom! Veja por você: quanto tempo se passa sem que possa visitar e ser visitado pelas pessoas queridas mesmo morando na mesma cidade ou país?! Talvez essa distância nem seja assim uma distâââância!

Ouví uma frase engraçada sobre isso: “Mantenha os parentes nem tão perto que possam vir te visitar de chinelos e nem tão longe que tenham que vir de mala!!” Hahahaha! Não vai ter jeito! Logo, logo eles vão chegar de mala e cuia e eu vou achar o máximo!

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13 respostas para Tá caindo a ficha…

  1. ai que dor esse texto.
    Parece que a gente só sente a dor/peso da distancia em Km. quando acontece de ficarmos sem ver amigos e familiares por meses, e talvez anos, mesmo morando perto essa saudade não acontece da mesma forma. mas quando é um km… parece que é sempre! Que dor. Da um apertinho no coração pensar nisso…

    • lizmassaini disse:

      Pois é, QUEBEcLEZA!! Precisamos nos acostumar com essa ideia…infelizmente! E o pior é que nem por causa disso, vai ser mais fácil. :o(
      beijos

    • lizmassaini disse:

      Pois é, QUEBEcLEZA!! Precisamos nos acostumar com essa ideia…infelizmente! E o pior é que nem por causa disso, vai ser mais fácil. :o(
      beijos

  2. Pois é, para mim com certeza vai ser muito difícil se despedir da família e amigos… Já fiquei 1 ano nos EUA e foi dureza me despedir do marido (na época namorado)… Agora ele vai comigo então a despedida vai ser em dobro… Bom, acho que o melhor é não sofrer por antecipação neh?!
    Courage à nous!
    Bjs.,
    Neila

  3. Carol disse:

    Muito lindo também o da sua amiga… li ha alguns minutos e continuo com nó na garganta….
    A familia e os amigos sempre estão pertinho do coração… mas as vezes dá uma vontade danada que eles também estejam pertinho dos braços pra apertar bem apertado 🙂
    Mas sim, voce tem razao. Isso tudo faz parte de uma série de decisões que tomamos e escolhas que fazemos…
    Amei o seu post (e fiquei rindo sozinha da frase do finzinho!!!)
    Tenha uma otima semana!

    Abs,

  4. Camila disse:

    Oi…
    lendo seu post voltei a pensar sobre as dores da imigração. Meu pai faleceu (hoje faz 6 anos) e apesar de estar no quarto ao lado não pude fazer nada. Não pude dizer a ele o quanto o amava e como ele faria falta. Sempre penso como será quando alguma notícia triste chegar e eu estiver longe… mas isso não pode me impedir de seguir em frente né. Temos que ter força e coragem e saber que mesmo longe, as pessoas que amamos estarão sempre perto de nós.
    Bon courage!
    Camila

  5. Les Lapins disse:

    Hey, que legal que apareceu, moça!!
    A resposta acho que está em seu penúltimo paragrafo: “quanto tempo se passa sem que possa visitar e ser visitado pelas pessoas queridas mesmo morando na mesma cidade ou país”.
    Algumas vezes essa distância em Km acaba até aproximando as pessoas de outras formas.
    Mas realmente quando pensamos nas possibilidades desse momentos mais difíceis da vida acontecerem quando estivermos longe, nos faz sofrer e quando realmente acontecem, talvez a culpa seja realmente mais pesada do que a saudade.
    Mas pense que quando esses queridos forem de mala e cuia te visitar, vao ter a certeza absoluta que vc. nao podia ter feito coisa melhor e nao apenas por você.
    Acho que para um pai e uma mae, nao tem nada melhor do que saber que seus filhos estao “bem guardados”, mesmo que eles tenham que fazer um certo sacrificio por isso.
    Devemos aprender com o exemplo deles e manter a roda citada pela Nilian girando!!

    Bjo
    Erika

    • lizmassaini disse:

      Vc tem razão! Meu filho está morando com o pai em SC e, apesar de sofrer (muito!) por causa da distância, prefiro vê-lo com uma vida melhor e mais segura lá do que correndo risco aqui. Ele veio passar 15 dias aqui agora em julho e sofreu 1 assalto e 1 tentativa de assalto. Não dá!!
      Obrigada pela força! beijos

  6. LesBrazucois disse:

    Olá, Liz!
    Gostei muito do seu post. Acho importante expor todos os lados desta escolha que subtemos as nossas vidas. E sim! É um sofrimento indiscutível que só quem passa sabe. Minha mana está lá desde 2008 e nosso Pai perdeu a batalha para o câncer em 2010. Ela só conseguiu chegar aqui alguns dias depois do enterro. Foi uma barra, principalmente pra ela por sofrer à distância, por se sentir mal de não estar aqui durante o tratamento dele.
    Mas a vida é feita de escolhas e mesmo vivendo toda esta experiência desgastante e triste, optei pelo Québec também.
    Vivo dizendo que a roda gira sem cessar, mas os entes queridos e os amigos verdadeiros são eternos em nossos corações!
    Coragem!
    Abraços
    Nilian
    .

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