O ASSISTENCIALISMO LÁ E CÁ

Eita assuntinho polêmico esse, né? Sei que ao final desse post vamos chegar a conclusão nenhuma mas acho que vale pelo desabafo e principalmente pela reflexão. Enfim, eu faço parte do time que está insatisfeito com o modelo de assistencialismo adotado pelo Brasil nas últimas duas décadas. Reparem, não sou contra a assistência em si. Acredito que cedo ou tarde cada um de nós vai precisar de uma mão amiga, de uma forcinha. Uns menos, outros mais. E parte desse “conforto” em tempos ruins pode e deve ser oferecido pelo Governo, em contrapartida aos impostos pagos, direitos humanos, sociais, constitucionais e o escambau.

Agora, como o nosso Brasil-sil-sil administra esse assistencialismo? Ele é aquela corda lançada ao fundo do poço que te ajuda a sair de lá ou aquela outra com um nó pra te enforcar? Quem são os beneficiados? Quem paga a conta? Qual o resultado prático dessa política?

A resposta do Governo à essas perguntas curiosamente seria diferente daquilo que eu vejo no dia-a-dia. Aliás, vendo as propagandas políticas na TV eu me pergunto se vivo no mesmo Brasil do qual eles estão falando ali. Ou eu sou um total alienado ou tem coisa errada por aí, né?

Podem me chamar de pessimista, mas vejo poucos prós no modo como o tema é tratado hoje. O cunho político-eleitoreiro, ao meu ver, desacredita totalmente a máquina assistencial que temos. Vemos compra de voto, corrupção e conflito de interesses infiltrados nesse processo. As denúncias pipocam mas passam quase sempre em branco, infelizmente. E num país onde o que vale mais é o popozão da tal celebridade, o gol do “timão” e o capítulo da novela, isso pouco se destaca. Uns até dirão, “se meu bolsa-cala-boca já tá na minha conta, eu não tô nem aí”. E seguem sorrindo e vivendo no mundo cão. É a ignorância sendo mãe carinhosa dessa pseudo-felicidade.

Enquanto isso, famílias são sustentadas à base de “bolsas”. “Trabalhar pra quê se tudo me dão?” Óbvio que isso já é melhor do que a miséria em que viviam tempos atrás mas… é vida? Dignidade? Crescimento? Tolice. E o que falar então das fraudes? Gente que mesmo não precisando dá um jeitinho de pegar sua fatia desse bolo. Aí, já estamos falando de outro nível de gente, muito mais desprezível. Mas há de se concordar que se houvesse seriedade, fiscalização e rigidez, essa torneira largada aberta deixaria de escoar. Mas não há.

Analisando melhor, esse cenário terceiro-mundista não é exclusivo dos programas de “bolsa”. Já vimos escândalos similares envolvendo ONGs, Ministérios, mensalões… Xi, tanta coisa! O que só aumenta a indignação na verdade. É a sensação nítida de que não importa o que se faça, nada vai mudar o jeito que as coisas são aqui. Inércia.

E claro que na nossa situação de futuros imigrantes não tem como não fazer um paralelo com o Canadá, um lugar onde a diferença social e cultural entre as camadas é muito menor. Onde, por isso mesmo, o assistencialismo abrange uma parcela maior da sociedade, tornando o sistema mais justo e eficaz. Todos pagam (muito) mas recebem. O que é bom é bom pra todos, o que é ruim também. Ou quase isso. Onde talvez (veremos!) o interesse político não sobreponha o social. Sem a doce ilusão de que lá não haja fraude, corrupção e blá blá blá. Mas talvez isso não seja algo tão irraizado no DNA do Governo e do seu povo, como aqui. O resto é bom senso.

Ou seja, fazer valer seus direitos como cidadão é importante em qualquer lugar. Só que a burocracia, o descaso e a corrupção freiam essa atitude. Com isso, a classe média brasileira, paga dobrado por saúde, educação e todo o restante teoricamente já contemplados com nossos altos impostos. Pagamos o público e o privado. Essa classe média paga a conta do Brasil.

Eu quero viver num lugar onde exista justiça social de verdade. Onde todos contribuam positivamente para a sociedade e onde todos usufruam dos seus benefícios igualmente. Talvez eu seja ingênuo demais. Talvez eu mereça um Bolsa-Bobinho. Talvez não.

Anúncios
Esse post foi publicado em assistencialismo, cidadania, pensamentos, política. Bookmark o link permanente.

3 respostas para O ASSISTENCIALISMO LÁ E CÁ

  1. wagner disse:

    E o que sugere coxinha?
    camara de gás?

  2. Oi, Thiago!

    Então, eu sei que você disse no começo do post que provavelmente não chegaríamos a nenhuma conclusão no final dele, mas eu fiquei meio sem entender… Quer dizer, eu concordo totalmente com a parte onde você critica a corrupção enraizada no DNA dos nossos governantes (e eu diria do NOSSO POVO, desde o cara que fura a fila no cinema ao político que guarda dinheiro na cueca, passando pela galera que pega o filho de 8 anos no colo e entra na fila preferencial). Também concordo que é insustentável a gente pagar 2 vezes: uma pelos impostos e outra pela via particular por serviços que deveriam ser prestados por qualquer estado que se julgue digno desse nome.

    Mas quanto ao bolsa-família fiquei realmente sem entender: pelo que sei, a grande maioria concorda que o governo precisa dar alguma ajuda àquelas famílias que não conseguem ganhar o suficiente para viver, seja aqui seja no Canadá. O que não ficou claro no pensamento que você explicitou (pelo menos pra mim e eu posso estar meio lerda ainda, no espírito de férias de fim de ano… Hehehe…) é por que aqui no Brasil a ajuda governamental é o Bolsa-compro-voto e no Canadá é uma ajuda digna para quem precisa de ajuda. Devo confessar que sou sim defensora do Bolsa-família e não penso de jeito nenhum que seja um salário que o governo dá para os ‘vagabundos’ que não querem trabalhar. Claro que MUITO precisa ser feito e na minha opinão esse país só tem alguma esperança se fizermos um alto investimento em educação. Mas porque não começar incentivando o cara que cata papel na rua com um dinheirinho a mais, para que ele mande o filho dele pra escola em vez de levá-lo para catar papel junto?

    Obviamente é revoltante para nós, que somos da classe média, vermos os miseráveis recebendo ajuda governamental enquanto nós pagamos rios de dinheiro em impostos e não recebemos nada em troca, ao contrário, precisamos pagar pela educação, saúde e até segurança. Mas uma coisa não anula a outra, sabe? O melhor seria se o dinheiro dos impostos fossem revertidos ao bem estar da população total, mas já é alguma coisa saber que o Brasil está caminhando para erradicar a fome…

    Abraços,
    Lidia.

    • thiagoocampo disse:

      Oi, Lídia! Bem vinda de volta das férias… espero q tenha sido revigorante, no mínimo.

      Olha só, esse assunto é polêmico e seria mto mais produtivo se a gente pudesse discutí-lo em volta de uma mesa mas já q (ainda) não podemos vamos tentar desmistificar aqui. Vou tentar resumir.

      Do meu ponto de vista é mto claro q as bolsas ajudam nas urnas, aqui, lá ou em qquer lugar. Veja a Europa, por exemplo, onde recentemente mtos benefícios foram cortados devido à crise em diversos países e a população passou a se opor ao Governo. Ninguém gosta de cortes, FATO. Então, eu não acho q só aqui a “bolsa” compra voto.

      Talvez isso seja potencializado no BR por 3 fatores: comodismo, pressão passiva e dificuldade de discernimento de grande parte da população, o que podemos chamar tbm de falta de instrução ou de formação de opinião. Mesmo morando em grandes centros e longe de uma realidade q não é a nossa, sabemos mto bem qual a lei q impera nos rincões desse país (mtas vezes não precisa nem ir tão longe). É a lei da ignorância. Pessoas como você e eu não são a maioria no BR, vc sabe. E acho q a propaganda tem papel importante nesse ponto, pois intuitivamente ela diz que “a coisa tá boa pra dedéu aqui, meu rei… não precisa reclamar de mais nada…. olha quanta riqueza” e blá blá blá. É isso o q vc vê no dia-a-dia. Eu vejo algo bem distante da erradicação da miséria e outros avanços q eles propagandeiam por aí. Um exemplo simples. As pessoas q votam em tal vereador pq ele conseguiu um descontinho de 10% no seu IPTU ou foi lá e tapou um buraco que tinha na sua rua. Na eleição seguinte vai todo mundo votar nele pois poucos se importam (se é que procuraram saber) que o mesmo vereador desviou verba nessa obra ou fez o diabo à 4 em outras ocasiões. Temos aí Malufs, ACMs e tantos outros q não me deixam mentir. Então, a obrigatoriedade do voto tbm tem seu papel aí. Como eu disse, acho importante q essa distribuição ajude o filho do catador de papel a ir pra escola ou não passar fome mas do jeito q vem sendo aplicada tenho minhas dúvidas se ele e o pai deixarão de ser miseráveis um dia.

      E eu discordo de vc, acho q SIM, tem mta gente q se sustenta com bolsa, q faz filho pra engordar a renda, etc. Conheço casos assim. Isso está ou não está diretamente ligado a essa mentalidade do brasileiro? Óbvio q não falamos da maioria, longe disso, mas existe. Então acho q a solução está mto além da bolsa.

      O contra-ponto que faço com o Canadá é o sistema q eles utilizam. Não q lá seja mais digno q aqui. É uma política de ajuda q não beneficia só o pobre mas a tds, e a coisa fica mais abrangente e justa. Vale lembrar q pobreza/miséria tem sentidos mto diferentes aqui e lá. Tds pagam as contas e tds usufruem, ou pelo menos têm essa possibilidade. Falo isso ao menos baseado em tds os programas q tenho conhecimento até agora, vendo qual a fórmula do Governo para colocá-lo em prática. Posso até mudar de ideia qdo for minha vez de vivenciar isso, mas
      aparentemente é assim. Por exemplo, não é só a filha do tiozinho da épicerie q recebe subvenção do Governo para garderie, certos descontos no IR, reembolso de remédios e incentivo financeiro para sua criação até os 18 anos. Td criança já nasce com esse aporte garantido. Pra nem mencionar as vantagens culturais e o acesso a tantas outras coisas. Então, vejo q o BR promove uma diferença social q já é latente.

      O papo é bom e gera uma ideia q puxa outra e mais outra. O mais importante é respeitar a visão do
      próximo. Respeito a sua, mas o q meus olhos vêm diariamente não é isso.

      Abração!

      p.s.: não sei ser conciso… ahahaha!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s