FAQ do PLI – PARTE 1

Eita, que o blog tá virando sigla!

Impulsionado por um e-mail revoltado, polêmico e cheio de propostas inteligentes (ou não), que recebi do auto-entitulado “francês tropicalizado” Hervé Jan dia desses, resolvi fazer um FAQ bem humorado (ou não) e politicamente correto (ou não) com a pura intenção de propor aos leitores que se questionem sobre certos aspectos relativos à imigração. E essas perguntas e respostas vão ficar na minha cabeceira para que eu mesmo não me esqueça de rever meus conceitos diariamente:

Les Questions Fréquemment Posées

1. Como está o meu francês? E o inglês?
Se você acha bichice um saco esse negócio de fazer biquinho ou se não tem o dom de enrolar a língua pra falar “world”, então nem segue adiante, amigo. Nosso idioma “brasileiro” não vai te levar muito longe no QC. Prepare-se para chegar lá com ambos num nível, digamos, digno de elogios. Mas saiba que ainda vai ter que melhorar muuuito! Você precisa falar inglês e francês. O “quebra-galho” não vai funcionar. Estude!

2. Eu vou sobreviver à falta de contato pessoal mais intenso?
Os québecoises separam o pessoal e o profissional. Nada de visitar fulano sem marcar dia, mês e ano. Também não ficam de conversinha ou intimidade facilmente. Nada de tapinha nas costas, beijinho e abracinho. Se você não sabe viver assim, desista. A parte boa é que não tem fofoquinha de bastidores nem vizinho se intrometendo na sua vida… pense nisso.

3. Qual o cardápio básico no Québec? E a minha feijoada/churrasco, como ficam?
Se você é daqueles que não passa uma semana sem aquela feijoada ou faz questão do churrasco com os amigos todos os domingos… bem, vá com calma. Não que seja algo impossível, mas sugiro abrir um novo menu em sua vida. As grandes cidades, por exemplo, oferecem culinária diversificada à bons preços. Além disso, mergulhar em novos sabores é uma ótima maneira de adaptar-se à cultura local. Aventure-se!

4. Estou preparado para mudar meus costumes?
Não tem alternativa, amigo. Você vai ter que mudar um bocado seus costumes. Pense: você vai ter que se adaptar ao Québec, não é o Québec que tem que se adaptar à você. Se você não vive sem uma empregada/diarista, é melhor rever sua decisão. Além disso, saiba que é você quem abastece o seu carro e não um frentista, e que o caixa no supermercado é quase uma figura ilustrativa ali. Apenas para citar alguns exemplos. Você vai ter que se virar sozinho em muitas ocasiões das quais talvez não esteja acostumado/preparado.

5. Eu vou sobreviver com o Sistema de Saúde Canadense?
Ah, vai! O seu problema é que você está mal acostumado e corre pro hospital na primeira dor de barriga. E permita-me dizer, você é meio tapado também se acha que o seu plano de saúde no BR é que é coisa boa. Coisa boa pra quem? Você já paga seus (altos) impostos e ainda tem que pagar por um serviço que o Governo deveria te oferecer com qualidade, por lei. Quem é o espertão aqui? No QC tá todo mundo no mesmo saco: rico, pobre, patrão e empregado. Se é ruim é pra todo mundo. Isso é a igualdade social e a justiça que você buscava e justificou na entrevista, lembra?! O serviço pode não ser rápido, mas funciona. Bem vindo ao ônus desse processo!

Espero que esse assunto sirva para todos pensarem de verdade no assunto. E mais do que isso, despertarem para questões que às vezes “o sonho da imigração” não permitem que a gente se dê conta. Que não seja tarde para nenhum de nós!

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9 respostas para FAQ do PLI – PARTE 1

  1. Julia disse:

    Oi Thiago!

    Muito bom o post! Temos que admitir que vamos ter que nos adaptar ao québec e isso pode, sim, doer um pouquinho… Uma dose de realidade sempre cai bem e ainda assusta aqueles que querem sair daqui e fazer um “novo Brasil” no Canadá (capacidade de adaptação zero!).

    A questão saúde eu sei que é um problema e, sinceramente, tenho evitado pensar nisso e prefiro pensar coisas mais bonitas como “se for urgente, eles vão dar a atenção merecida”. Mas depoimentos como o da Érika me mostram que preciso dedicar mais um tempinho para refletir sobre esse assunto…

    Obrigada pela visita lá no blog! Ainda estou me organizando para manter ele mais atualizado! 🙂
    Vou te adicionar lá!

    Bjs

    Julia.

  2. Olá, pessoas!
    Parabéns pelo post! Direto e sincero, nem por isso desanimador… Muitas pessoas querem ir para o Québec, pensando que lá encontrarão um paraíso, com bastante dinheiro e uma vida luxuosa, sem qualquer esforço. Já esperamos encontrar alguns problemas sociais e muitos outros em nossa integração, por isso estamos pesquisando a sociedade quebequense e estudando bastante francês e inglês. O melhor é colocar as motivações na balança, comparando pontos positivos e negativos de Brasil e Canadá, além de se preparar para uma grande mudança de vida, em que podemos perder em alguns pontos, mas acreditamos que ganharemos em muitos outros. Aprendemos que toda escolha vem acompanhada de renúncias e, por enquanto, parece compensar o que escolheremos e aquilo que renunciaremos… Quanta filosofia! 🙂
    Abraços!

  3. Paula disse:

    Ah, eu achei muito bom!
    Antes de passar uma estadia em Montreal e conhecer uma brasileira imigrada eu não tinha noção dos perrengues que acompanham essa mudança. Ela me deu um banho de realidade que não tem preço e cada vez mais acho válido que as pessoas que pensam em imigrar e as pessoas que já estão no Canadá falem dessas realidades, compartilhem, é essencial saber o máximo possível, dos bons e mais ainda dos ruins. Confesso que para mim a maior preocupação sempre foi a questão da saúde, eu nunca quebrei nenhum osso aqui no Brasil, imagine meu desespero em sofrer uma fratura fora daqui…. rsrs
    Enfim, parabéns pelo FAQ, curto e grosso mas excelente!

    • thiagoocampo disse:

      Paula, obrigado pela visita. Uma mão na roda ter amigos q já vivem no QC, ajudam demais e podem dar o caminho das pedras (sem as pedras, por fvr)! Vc tem blog?
      Abraço!

      • Paula disse:

        Oi Thiago, não tenho… não sou muito disciplinada pra essas coisas… hehehe
        Mas mandem emails se quiserem conversar, também estou no processo, já estou com o CSQ desde o começo do mês em mãos e só aguardando o eterno federal.
        Abraços!

  4. Nossa, eu dei ótimas gargalhadas aqui! Realmente, pensar em imigrar sem saber dessas coisas me parece “meio” sem noção. Mas no 5º tópico fiquei meio assim, aí entrei para comentar e vi o comentário-quase-post da Erika.

    Sabe, o Rafael e eu já decidimos que continuaremos pagando um plano de saúde aqui no Brasil. Não um BOM DEMAIS como a Erika destacou, mas um razoável. Se pretendemos voltar aqui com uma certa frequência, por que não aproveitar e fazer todos aqueles exames preventivos, não é mesmo? Nós já havíamos conversado sobre isso, mas agora, depois de ler o que a Erika escreveu, “terminei” de tomar minha decisão.

    Toda vez que paro para refletir sobre a imigração de maneira mais profunda, eu vejo que estou indo para o lugar certo. Ao longo do processo fui gostando mais do Québec e tomando mais birra de como fazemos as coisas da maneira errada por aqui no Brasil. A ÚNICA exceção é quando eu penso na saúde. Eu SEI que o negócio lá é caótico. Aqui o SUS também é, mas em caso de necessidade eu ainda posso fugir disso – revoltada, claro – mas ainda posso sair pela tangente de um plano de saúde. E lá?

    Como a Erika destacou, parece que as pessoas (imigrantes) não querem ouvir isso. Acho que elas ficam agoniadas de pensar no quanto deve ser ruim morar num lugar onde a saúde é “maltratada”, talvez isso tenha peso o bastante para atrapalhar os planos de imigração de alguém, sei lá…

    Enfim, também me empolguei nos comentários! Realmente, esse é um assunto que dá pano pra manga!
    Beijos,
    Lídia.

    • thiagoocampo disse:

      Lídia, a gente nunca tinha considerado manter um plano no BR e se fizermos isso será tão à contragosto… vc não imagina. Tem coisas q me revoltam, essa é uma delas: ter q pagar dobrado por serviços q deveriam ser públicos. Por isso fico p… qdo nego diz q tem q ter plano de saúde no QC tbm pra salvar a situação caótica. Penso q o correto seria resover a situação, isso sim. A gente já sabe onde isso vai dar… Sou como 99%, meu pé atrás é a Saúde. E com criança pequena fico com pé e meio atrás. E não consigo parar de pensar uma coisa: se a Saúde parece ser o maior problema (gritante!) no QC, considerado não só por imigrantes mas como nativos tbm, se tantas coisas funcionam de maneira satisfatória pq raios a má qualidade na Saúde não parece ser o foco das discussões políticas de lá? Eu leio bastante o noticiário local e não vejo acentuação nesse tema. Fico com a impressão q pra eles tá normal, ou acostumaram… o q volta a me assustar por razões óbvias. Enfim, a discussão é boa. Uma hora a gente faz como a Érika propôs e resolve isso com uma cervejinha… ahahahah!
      Abraço!

  5. Les Lapins disse:

    Oi Thiago, Gostei das siglas!! hehehe!! Tb. sou cheia delas, acho que quem trabalha com comex tem ainda mais tendencia a usar siglas…
    Concordo com os 4 primeiros itens.
    O 5° concordo parcialmente. Na teoria, a saúde aqui é universal (na teoria no BR tb. é…)
    Mas na prática, se vc pagar para as clínicas/médicos que atendem particular, passa na frente.
    Você pode pesquisar no google.ca que vai aparecer um moooonte de matérias de jornais e tv denunciando isso. Faz exame na frente, opera na frente…entao essa de rico ficar no mesmo saco, nao é verdade. E olha que aqui nem tem convenio ainda, quando tiver entao…
    Mas eu entendo que as pessoas precisam acreditar que é como na teoria, eu normalmente nem falo mais desse assunto pois tenho a impressao que as pessoas nao querem ouvir isso nao, muita gente prefere fechar os olhos e pagar para ver, nao as condeno, afinal, eu fui assim tb. E te digo com a maior sinceridade do mundo (nem sei se deveria, rsrs, mas como vcs. parecem ter uma cabeça mais aberta…), que nesses 3 anos eu aprendi a reforçar meu amor pelo QC e minha raiva pelo Br, e reforçado o sentimento que a imigraçao foi a melhor coisa que fizemos de nossas vidas, mas a única vez que questionei se haviamos feito a coisa certa, foi quando eu já estava com o braço quebrado ha 1 semana, voltando do 3° hospital SEM conseguir ver um ortopedista e SEM ter o braço engessado. Senti uma raiva, um desespero, bem na hora uma amiga me ligou, foi o que precisava para eu parecer uma doida e desatar chorar em plena estaçao de metro…tudo quanto era transeunte me olhando…rsrs. Depois disso já vi casos, e casos, bons e ruins…
    As vezes me pergunto se ficou algum arrependimento, alguma coisa que eu poderia ter feito melhor em todo esse processo. Só penso que poderia nao ter marcado bobeira em uma coisa: Eu deveria ter continuado a pagar UM BOM plano de saúde no Brasil.
    Mas quando eu estava no Brasil se alguém me dissesse isso eu acharia um absurdo: como assim, estou saindo do BR exatamente pq estou cansada de pagar imposto ir para saúde e nao ir e ainda ter que pagar convenio, no Canada tem saude “de qualidade”, que idéia louca é essa? Fora que pra esse pais eu nao quero dar mais nem um tostao.
    Para o Québec, urgencia é aquilo que tem risco de morte nas proximas horas, ou seja, orgao vital. Se for morte lenta, tvz nem tanto. Se o risco for SÓ ficar aleijado, a fila para uma simples consulta com ortopedista pode durar até 8 meses. Imagine a operaçao! A, gravidas e neonatais tb. sao mega bem tratados.
    Viu o post da patitando hj? Foi um revival dos sentimentos do metro que te falei acima.
    É nessas horas de angustia como o q ela está vivendo que a gente passa na cabeça da gente “onde fui amarrar meu burrinho” (nem que seja por 3 minutos)?
    Bom, mudando do poló Norte ao Sul (escrevi tanto que nem sei se o wordpress vai me deixar publicar o comment, rsrs), menino nao sabia que em Santos tinha todo esse aparato nao. Nao sei se em Sampa nao tinha ou se fica tudo perdido no meio daquela confusao, ou se nao faz parte do nosso mundo quando estamos lá…Sei que eu tenho meus pés atras com esse negocio de ONG (uma coisa meio Tropa de Elite, rsrs), mas os casos que citei no post sao mais autarquias do que ONG envolvidas nos assuntos, entao o négocio funciona.
    Fiquei pensando no q vc falou sobre o negocio de ser de graça nao usar, acho que nós brasileiros temos muito esse negocio de ostentar, se conseguimos dar uma subidinha de nada na escala social, a gente ja começa ter acessos de “to pagaaaaaando”…ai as pessoas nao usam havaianas pq é coisa de pobre, olha que frase mais infeliz!
    Aqui como praticamente só tem classe média, todo mundo usa o q é de graça e as pessoas vêm esses serviços publicos como um bem de todos. Ao menos na comunidade que estamos, nao sei.
    Mas é isso, discussao tá ficando boa para acompanhar uma breja! hehehe
    Bjocas procê e pr’as meninas
    Erika

    • thiagoocampo disse:

      Érika, eu bem q queria continuar essa discussão aqui mas vai virar fórum… ahahahah! Vou responder em pvt. Mas deixo a mesma pergunta q deixei pra Lídia no ar: se a Saúde parece ser o maior problema (gritante!) no QC, considerado não só por imigrantes mas como nativos tbm, se tantas coisas funcionam de maneira satisfatória pq raios a má qualidade na Saúde não parece ser o foco das discussões políticas de lá? Eu leio bastante o noticiário local e não vejo acentuação nesse tema. Fico com a impressão q pra eles tá normal, ou acostumaram… o q volta a me assustar por razões óbvias. Como vc vive essa realidade há 3 anos acho q pode contribuir melhor…
      Abraço!

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